sábado, 28 de julho de 2007
Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
O dia 27 de julho de 1982 (1 dia e alguns anos adiantados)
o MEU dia 27 de julho
começa exatamente as 10:40 da manhã no ano de 1982.
Pronto, eu estava lá: Mind
Eu não gosto muito de fazer aniversários, porque sinceramente, gostaria de ter eternos 19 anos.
Se não fosse pelos recados, telefonemas, cartões, abraços e presentes de um continue assim, juízo hein, felicidades, ta ficando velha e outros mais, sei lá, acho que seria muito mais difícil.
Mas sou grata por ter vindo ao mundo e com certeza mais grata ainda por aprender mais com ele e por deixar alguns “detalhes” meus espalhados.
Bom, se já passou da minha hora cabalística, pronto, já estou 1 ano mais velha, que seja!
Afinal, o que é ser 1 ano mais velha perante aos milhões de anos que aconteceram e aos milhões de anos que estarão por vir (se o aquecimento global deixar, correto?)
Agradeço a todos que fizeram de mim essa Mind que sou hoje e agradeço também aqueles que me pouparam de “certas atitudes” me ajudando assim a ser alguém melhor... acredite, bem melhor... hehe
Então, PARABÉNS PRA MIM!
Que venha o bolo, os abraços e os presentes.
Aceitarei cada um com muito amor.
Thanks
Aline Mind Nascida em 27/07/1982 às 10:40 em São Paulo (SP)
E agora com 25 anos! (Muuuuuuuuuuuito bem vividos e felizes)
Há pensamentos que rasgam e palavras que cortam. Às vezes nem é preciso pensar nem ler. Basta supor. A mutilação acontece sem que as lâminas tenham sido postas à mesa. O importante é ver sangrar até o fim.
Chegar a uma cidade estranha é um ato precedido de rituais de pensar e escrever, escrever no pensamento e supor algumas vezes.
O primeiro ritual é erguer um muro de proteção ao seu redor. Tornar-se hostil e evitar qualquer envolvimento. Depois, basta evitar amigos e conhecidos, apenas ter colegas. Por fim, arrebata-se o muro cada vez mais alto, aos poucos: a proteção e a infelicidade estarão plenamente satisfeitas em sua ânsia de fazer um mal parecer um bem. Sem amigos nos quais confiar, a muralha protege um terreno estéril, já que dentro não chove, não faz sol e nada mais brota, porque as sementes não chegam. Uma gota que cai ou uma dor que se cante passam a significar o mesmo terreno seco. Não há testemunhas com quem simpatizar. Não é porque nos acostumamos a pensar que uma coisa não é errada que ela é necessariamente certa, já diria Paine. Com a muralha é assim. Nem boa nem ruim, é bom pensar.
O segundo ritual, logo após a derrubada do muro, que acontece após muito se contorcer diante da grandeza da auto-destruição, é o da abertura franca. Grandes laços são construídos, forma-se uma teia irresistível de elogios mútuos, companheirismo, camaradagem e traição. A mão que afaga é a mesma que arremessa para o infinito as nossas confianças. Então forma-se a necessidade do isolamento, que não pode ser o muro, porque inútil, nem a abertura, dolorida abertura.
O terceiro ritual é o da integração do muro com a abertura. Mas sobre esse não tenho nada a falar nem supor. É apenas um pensamento que me rasga e palavras que, escritas, me fazem sangrar os dedos.
Chegar a uma cidade estranha é um ato precedido de rituais de pensar e escrever, escrever no pensamento e supor algumas vezes.
O primeiro ritual é erguer um muro de proteção ao seu redor. Tornar-se hostil e evitar qualquer envolvimento. Depois, basta evitar amigos e conhecidos, apenas ter colegas. Por fim, arrebata-se o muro cada vez mais alto, aos poucos: a proteção e a infelicidade estarão plenamente satisfeitas em sua ânsia de fazer um mal parecer um bem. Sem amigos nos quais confiar, a muralha protege um terreno estéril, já que dentro não chove, não faz sol e nada mais brota, porque as sementes não chegam. Uma gota que cai ou uma dor que se cante passam a significar o mesmo terreno seco. Não há testemunhas com quem simpatizar. Não é porque nos acostumamos a pensar que uma coisa não é errada que ela é necessariamente certa, já diria Paine. Com a muralha é assim. Nem boa nem ruim, é bom pensar.
O segundo ritual, logo após a derrubada do muro, que acontece após muito se contorcer diante da grandeza da auto-destruição, é o da abertura franca. Grandes laços são construídos, forma-se uma teia irresistível de elogios mútuos, companheirismo, camaradagem e traição. A mão que afaga é a mesma que arremessa para o infinito as nossas confianças. Então forma-se a necessidade do isolamento, que não pode ser o muro, porque inútil, nem a abertura, dolorida abertura.
O terceiro ritual é o da integração do muro com a abertura. Mas sobre esse não tenho nada a falar nem supor. É apenas um pensamento que me rasga e palavras que, escritas, me fazem sangrar os dedos.
quarta-feira, 25 de julho de 2007
segunda-feira, 23 de julho de 2007

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
Mulherzinhas...:: Adília Belotti ::
Somos nosso contexto. Mesmo a mais visionária das criaturas humanas não consegue escapar completamente das circunstâncias nas quais está mergulhada, assim feito tecido de molho, empapado de água...
Somos o que nossa época faz de nós, e ainda que nosso destino maior seja, talvez, a rebeldia, em algum momento, numa conversa mais solta, numa daquelas noites de verão que não acabam nunca, num papo mole depois do jantar e depois da segunda taça de vinho, neste momento, em que a consciência cochila, vamos deixar escapar essa sombra coletiva, o "espírito do tempo", zeitgeist, como ensinam os filósofos alemães, aquilo que nos torna parte da paisagem que nos cerca...
Foi neste clima de perplexidade que eu me descobri depois de ler o Correio Feminino, compilação de pequenas crônicas que Clarice Lispector escreveu para alimentar colunas femininas de jornais do Rio de Janeiro.
As incursões da escritora - a esta altura, já consagrada - pelo universo feminino são sempre feitas sob pseudônimos: Tereza Quadros, Helen Palmer, Ilka Soares, o que, no mínimo, fala de uma Clarice que não gostava de misturar as coisas: de um lado a literatura, de outro, reflexões sobre as miudezas que compunham a vida das mulheres da sua época, ou seja, lá pelos idos de 1950.
Os artigos, no entanto, são uma delícia! A primeira destas colunas de consultório sentimental chamava-se “Entre mulheres” e Clarice assinava como Tereza Quadros. São receitas, dicas, conselhos e segredinhos, um pouco falando de tudo - cuidados com a casa, etiqueta, truques de beleza - um pouco convidando a refletir sobre a vida, coisa de "mulherzinhas"...
Tentando alinhavar reflexões sobre casa e lar, vejam só onde ela vai parar: "Parece que ficou estabelecido, nos princípios da criação, que o homem faria a casa, para dar um lar à mulher. E que a mulher construiria o lar, para dar casa e lar ao homem. Sim, porque o homem tinha que levar vantagem, não podia ser por menos. Pois então é isso: casa é arquitetura de homem e lar, essa coisa simples e complexa, evidente e misteriosa, que depende de tudo e não depende de nada, essa coisa sutil, fluídica, envolvente, é simplesmente engenharia de mulher".
Lar... a gente hoje fala bem pouco disso, virou palavra com cheio de naftalina, e, no entanto, as palavras evocam uma saudade, só que de saudade de idéia...
Porque é impossível não ver por trás do texto um retrato de mulher que fizemos questão de apagar, aquela que vivia presa numa armadilha dourada, feita de rendas e fricotes e submissão. "Quem poderá calcular o calor e a violência de um coração de poeta quando preso no corpo de uma mulher?", lamentaria Clarice, usando a voz de Virginia Woolf, na crônica: “A irmã de Shakespeare”
Mas as páginas desta Clarice não são tristes, nem são lamentos. São costura impecável do cotidiano das mulheres. Sopa de tudo. E conselhos que ainda hoje merecem ser lidos: "Nunca se deve comentar na frente de crianças, acontecimentos impressionantes, como doença grave, morte, desastre. A criança, que tem uma imaginação fértil e saltitante, comporá com tintas fortes todo o acontecimento, virando e revirando em sua cabecinha os detalhes do caso. É como se tivesse presenciado tudo".
Ou "Se o seu filho é 'problema', a culpa é sua, minha amiga (...) amar um filho não é absorvê-lo, dominá-lo, moldá-lo às idéias e aos objetivos dos pais. Esse erro, muito comum entre pais que desejam ver seus filhos vitoriosos, provoca na criança ou no adolescente a reação para fugir à sufocante atmosfera do lar". Ou, ainda: "O nervosismo produz a insônia, má digestão e esse estado de irritação constante que, além de prejudicar a aparência física de qualquer mulher, ainda a torna insuportável como companhia".
O livro é um passeio gostoso pelos fazeres e saberes que compunham o cotidiano de nossas mães e avós. Mas também é uma provocação para nós, briguentas criaturas de uma era pós-feminista: se a gente não vivesse hoje, aqui e agora, que tipo de mulher nos escolheríamos ser?
Correio Feminino, de Clarice Lispector, Editora Rocco
| Em 2006 lançou seu primeiro livro: Toques da Alma, clique e confira. Email: belotti@ig.com Texto extraído do site www.somostodosum.ig.com.br |
domingo, 22 de julho de 2007
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